Pedido de delivery não é checkout de ecommerce
Um cliente pede pedido online. Você manja de WordPress, então pega o WooCommerce, coloca um plugin de frete para a taxa de entrega, um add-on para o pedido chegar em algum lugar que a cozinha veja, e um CSS para a grade de produtos parecer um cardápio.
Funciona. Demonstra bem. E aí você mantém.
Onde o modelo deixa de encaixar
O WooCommerce modela uma loja que vende produtos e despacha. Delivery tem outro formato, e a diferença aparece em lugares que você não controla:
Horário. Pedido de ecommerce vale quando chegar. Pedido de delivery só vale enquanto a cozinha está aberta. O Woo não tem conceito de horário de funcionamento, então você enxerta um, e agora o caso de borda é seu: alguém abre a página às 22h58 e finaliza às 23h01.
Distância. Plugin de frete precifica por peso e zona, porque é assim que transportadora cobra. Delivery precifica por quanto o entregador roda. Dá para aproximar com faixa de CEP até um cliente apontar que metade do CEP fica a três quadras e a outra metade do outro lado do rio.
Status do pedido. Os status do Woo descrevem a expedição de uma remessa: processando, concluído, reembolsado. Os de delivery descrevem uma cozinha: confirmado, em preparo, saiu para entrega, entregue. Dá para renomear. Não dá para fazer o resto do ecossistema entender o que você quis dizer.
O carrinho. Carrinho de ecommerce é feito para navegar, salvar e voltar depois. Carrinho de delivery é preenchido em dois minutos por alguém que já está com fome, no celular, e abandona no primeiro passo a mais.
Cada lacuna tem um plugin que resolve. Essa é a armadilha: nenhum deles é absurdo sozinho.
O custo não é montar, é multiplicar
Um site com quatro plugins é tranquilo. O problema é que isso virou seu produto.
Cada versão do WooCommerce é uma pergunta de compatibilidade entre quatro fornecedores. Cada cliente é mais uma cópia dessa superfície. Quando um plugin de frete muda como calcula zona, você não descobre pelo changelog, descobre pelo cliente cuja taxa de entrega zerou num sábado à noite.
E você está carregando um motor de ecommerce inteiro, com estoque, imposto, cupom e variação, para vender um hambúrguer.
Como fica a alternativa
O MyD Delivery é um plugin só, que modela delivery direto: produtos e categorias, zonas de entrega, gestão de pedidos, notificações pelo WhatsApp e pagamentos, sem WooCommerce embaixo. O core é gratuito no WordPress.org, então replicar uma configuração entre clientes não custa nada por instalação, e a pergunta de compatibilidade tem um fornecedor em vez de quatro.
Os add-ons são cobrados por uso, não por site, o que importa quando você hospeda muitos clientes pequenos: loja com três pedidos por dia não paga como loja com trezentos.
Quando o WooCommerce continua sendo a resposta
Se o cliente vende produtos de verdade e entrega é uma opção de entrega entre outras, fique no Woo. Se ele precisa de estoque real, variações, campanha de cupom, ou do ecossistema de plugins em volta disso, fique no Woo. Adaptar só vira erro quando delivery é o negócio inteiro e você está pagando por um motor de ecommerce que nunca usa.
A pergunta que vale fazer antes da primeira instalação não é “o WordPress dá conta disso”. É “quantos desses eu vou estar mantendo daqui a dois anos, e o que quebra quando um deles atualizar”.